sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

De olho no Mundial, Flamengo tenta inédito título da Liga das Américas


Nicolás Laprovittola basquete Flamengo x Brasília NBB (Foto: Alexandre Vidal / Fla Imagem)Nesta sexta-feira, o Flamengo começa sua trajetória em busca do título inédito da Liga das Américas ao entrar em quadra, às 21h (horário de Brasília), no ginásio Julio César Hidalgo, em Quito-EQU, contra o Capitanes de Arecibo, de Porto Rico, pelo grupo A da fase de classificação. Além das duas equipes, completam a chave os chilenos do Leones de Quilpué e o Mavort, donos da casa. Os dois primeiros colocados se classificam à próxima fase. Das seis edições, os rubro-negros disputaram cinco, mas, jamais, avançaram para o Final Four (quatro melhores times). As campanhas mais regulares do clube aconteceram nas duas últimas temporadas, quando caíram na segunda fase. 

Para quebrar este retrospecto ruim, o técnico José Neto conta com a força de seu elenco, que é o líder do NBB e tem atletas de nível de seleção como Marcelinho, Marquinhos e o argentino Nicolás Laprovittola, cestinha do torneio nacional e vice-campeão na edição passada com o Lanús, que saiu derrotado pelo Pinheiros. E motivos não faltam para a conquista do tão desejado caneco.

Além de ser um troféu novo para a galeria rubro-negra, o título dá uma vaga ao Mundial Interclubes, em jogo com o campeão da Euroliga (campeonato europeu). O fato de poder encarar um time da segunda competição de clubes mais importante do mundo enche os olhos de todos. Mais experiente do plantel, Marcelinho coleciona estaduais, brasileiros e uma Liga Sul-Americana, em 2009, mas, aos 38 anos, o ala sabe que esta pode ser uma de suas últimas tentativas de colocar no peito uma das únicas medalhas que lhe restam pelo clube da Gávea.

- É um título inédito e muito importante para o Flamengo, principalmente agora que temos uma motivação extra, que é a possibilidade de representar o Brasil na disputa do Mundial Interclubes. Uma competição completamente diferente do NBB, que podemos perder um ou dois jogos e ainda temos chance de nos recuperar dentro do campeonato. Já a Liga das Américas não, é tiro curto, e qualquer derrota pode ser fatal para uma classificação. Vamos chegar fortes para brigar pelo título depois de passarmos por um momento conturbado, com vários problemas de lesão, o que acabou retardando um pouco nosso entrosamento. Acho que agora estamos bem preparados para enfrentar a competição, mesmo com o calendário apertado. Continuamos jogando muito e treinando pouco - disse o camisa 4 rubro-negro.

Marcelinho basquete Flamengo (Foto: André Durão / Globoesporte.com) 
Marcelinho vai tentar levantar um inédito troféu na sua vitoriosa carreira (Foto: André Durão / Globoesporte.com)

Contratado em setembro para ser o cérebro do quinteto rubro-negro, o argentino Laprovittola espera levar para casa o caneco que quase conseguiu no ano passado. Atuando pelo Lanús, em  casa, o armador viu o campeonato escorrer pelo ralo ao perder para o Pinheiros, na segunda rodada do Final Four, por 82 a 66. Mais experiente, Nico sabe o que o Flamengo vai encontrar pela frente e tem a receita de como o time deve se portar.

- A Ligas das Américas é um torneio distinto, curto, muito rápido. Temos que mudar de chip, esquecer o NBB. São outras equipes, outra forma de jogar. Tem o time de Porto Rico (Capitanes de Arecibo), que é diferente do estilo brasileiro, tem os venezuelanos, que também tem outro estilo. Temos que impor nosso ritmo, segurar as outras equipes, não deixá-las crescer. Todas as equipes são fortes, não é como no NBB que tem algumas mais fracas. E em três dias, ou você sai fora ou segue adiante. É de vida ou morte e temos que encará-la assim. Queremos que o Flamengo vença para jogar depois o Mundial contra o campeão da Euroliga. Essa é a maior motivação que tem em todas as equipes: vencer para jogar o Mundial. Jogar contra o campeão da Euroliga é um sonho tanto para o Flamengo quanto para qualquer jogador de outro time - ressaltou o camisa 7.


Veja o que falaram outros personagens do plantel rubro-negro

Olivinha, ala/pivô - "Temos um grande elenco, maduro e faremos de tudo para levar esse título inédito para a Gávea. A Liga é importante para a gente nesta temporada, é nosso grande foco, junto com o NBB, e queremos dar essa alegria para a torcida do Flamengo para gravarmos nosso nome na história do clube".

Gegê, armador - "É um título inédito e importante demais para um time de camisa e da grandeza do Flamengo. É uma competição completamente diferente do NBB, que dura meses. A Liga das Américas é tiro curto, disputada em 28 dias (NR: nesta primeira fase são três). Sabemos que uma derrota pode ser decisiva para nossas pretensões. Não podemos bobear".

José Neto, técnico - "É uma competição importante e que temos duas motivações extras: o fato de ser um título inédito para o clube e, principalmente, por termos a chance de representar o Brasil no Mundial. Muda muito uma competição da outra. Essa é uma competição curta onde as equipes não têm tempo de se recuperarem. Cada partida é uma final e pode te colocar dentro da próxima fase ou fora da competição. É um torneio que o erro pesa demais, que não permite vacilos".

Duelo anteriores

Se os adversários do Flamengo nesta primeira fase não são tão conhecidos do grande público, dos jogadores não se pode dizer o mesmo. Tradicional equipe do continente americano, o Capitanes de Arecibo participou de todas as edições da Liga das Américas e já encontrou os cariocas duas vezes. A primeira aconteceu na temporada 2009/2010. No mesmo grupo, brasileiros e porto-riquenhos se enfrentaram e os rubro-negros levaram a melhor por 81 a 66, com grande atuação do então armador Hélio, que assinalou 23 pontos. Porém, nenhum dos lados avançou para a segunda fase.

basquete marquinhos flamengo e Estrellas Occidentales liga das américas (Foto: Samuel Vélez / FIBA Américas ) 
Marquinhos sobe para a cravada na vitória do Fla sobre o Estrellas Occidentales na edição do ano passado. O camisa 11 é uma das esperanças de que o troféu venha para a Gávea pela primeira vez (Foto: Samuel Vélez / FIBA Américas )
 
Um segundo duelo ocorreu em 2010/2011, só que pela segunda fase. Os caribenhos devolveram o revés do ano anterior ao vencerem por 87 a 85, com uma performance destacada do craque da seleção local, Elias Ayuso, e de Danilo Pinnock, com 20 pontos cada. Nem mesmo os 30 pontos do americano David Teague foram suficientes para evitar a derrota rubro-negra.

Outro time bastante conhecido do clube da Gávea é o Mavort, que atuará em casa nesta fase pelo segundo ano seguido. Na competição, as agremiações se encontraram também por duas vezes, com uma vitória para cada lado. Em 2010/2011, o Rubro-Negro ganhou por 81 a 80, na primeira fase, eliminando os equatorianos. Os destaques foram Teague, novamente, e Marcelinho, com 25 e 22 pontos, respectivamente. 

Na temporada passada, Flamengo e Mavort voltaram a duelar, desta vez, na segunda fase. Favoritos, os cariocas foram surpreendidos por 95 a 93, mesmo com os 32 pontos e seis assistências de Marquinhos. Os dois times foram eliminados. A curiosidade é que neste mesmo grupo estava o Lanús de Laprovittola, que ajudou a tirar os rubro-negros do torneio com seus dez pontos na vitória por 83 na 69, atuando em casa.

Já o jogo com os chilenos dos Los Leones de Quilpué será o primeiro da história das equipes na competição mais importante do continente.

basquete olivinha flamengo e Estrellas Occidentales liga das américas (Foto: Samuel Vélez / FIBA Américas ) 
Maior reboteiro do NBB, o 'lixeiro' Olivinha poderá ser decisivo para o Flamengo debaixo da tabela na Liga das Américas (Foto: Samuel Vélez / FIBA Américas )


Raio-x dos adversários

A reportagem do GloboEsporte.com fez um levantamento dos três rivais do Rubro-Negro nesta primeira fase. Veja quem são seus destaques:

Capitanes de Arecibo - o principal time de Porto Rico estreia na competição contra o Flamengo, seu maior rival no grupo. Tradicional, participou de todas as seis edições da Liga das Américas, tendo como melhor resultado um vice-campeonato na temporada 2010/11, quando perdeu para o Regatas Corrientes da Argentina. Outra boa participação foi o terceiro lugar no ano passado, quando realizou a fase decisiva na sua casa. No campeonato nacional, a equipe não vem fazendo boa campanha com 18 vitórias e 18 derrotas, ocupando a sétima posição entre os dez times. Porém, conta com jogadores rodados como Guillermo Diaz, que teve rápida passagem pelo Los Angeles Clippers, e o pivô Angel Vassalo, cestinha da atual temporada com média de 17.8 pontos por partida. Além deles, a equipe do treinador David Rosario trouxe de volta o panamenho Danilo Pinnock, de 29 anos e 1,95m, e o paraguaio Guillermo Araujo, de 31 anos e 2,05m, que estava no Pinheiros na última temporada, quando foi campeão.

Mavort - Pela segunda vez consecutiva é uma das sedes da primeira fase da competição. Vem para sua terceira participação nos últimos quatro anos. Assim como os cariocas, nunca chegou ao Final Four. Tem como destaques seus três estrangeiros: os americanos William Funn (armador) e Walker Blake (ala), e o dominicano Manuel Guzmán (pivô). O resto do elenco é equatoriano e pouco tarimbado. O Mavort vai estrear na temporada nesta Liga das Américas. Sua última partida oficial foi em outubro, o que faz o técnico espanhol, Javier Díaz, lamentar pela falta de ritmo. É o segundo adversário dos rubro-negros. O duelo acontece no sábado às 23h15m.

Los Leones de Quilpué - Esta será a segunda participação dos chilenos no torneio, que ainda não venceram. Azarão, o elenco do técnico Claudio Jorquera tem como destaques os americanos Jamal Johnson (ala), Jon Thomas, (ala/pivô) e Stanley Jones (pivô). Será o terceiro e último adversário dos cariocas. O jogo vai ocorrer no domingo, às 20h.




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